quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Discovery - Greatest Ever Motorcycle.

Harley Davidson Knucklehead

Moto Guzzi V8 (1955)

Y2K

Eu, bandido de motocicleta.

(Texto extraído de Lord Of Motors)
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"Fujo da polícia todos os dias. Tornei-me um bandido. Assim me sinto aos 61 anos, na minha cidade do Rio de Janeiro. Sou um bandido. Depois de criar e gerir empresas, ativar empreendimentos comerciais bem sucedidos, com uma vida inteira dedicada a atividades absolutamente lícitas, além de ser casado e com filhos adultos, hoje me escondo da polícia.
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Chego às 7h da manhã (todos os dias) ao meu trabalho em Copacabana com minha moto, para estacionar. Onde? É proibido estacionar motos em Copacabana. Por quê? Não sei. Fico perguntando a um e a outro: a "Guarda" vai passar hoje aqui? Pode ser, dizem. Observo atrás da banca de jornais. Aqui dá? Bem, ontem rebocaram bem aí. Talvez naquele recuo, na calçada. Não, ali não - ali é onde eles mais pegam.
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Tento uma ladeira perto do morro. Tem perigo. Calçadão da praia? Nem pensar. Vaga Certa? Não aceita motos. Pôxa! Onde, então? Passa um carro da polícia e me olha. Tremo. Sou bandido.
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Não sei a quem esta carta se destina. São tantas autoridades. Choque de Ordem. Código de Trânsito. Lei das Posturas Municipais. Onde? Quem? Ouçam: quero cumprir a lei. Entendo que é preciso ordem e disciplina. Estou de acordo. Mas quero a Guarda Municipal e a Polícia Militar como aliados meus, não como adversários que se esforçam para me prejudicar, me multar, trazer prejuízos.
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Não sou nenhum moleque. Exijo das autoridades não complascência, mas apoio nas obediências que não me nego a prestar - mas quero coerência. Quero ser visto como alguém que merece respeito. E sendo assim, quero que o prefeito resolva esta questão.
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Trabalho sete dias por semana, assim como ele. Há anos trabalho sete dias por semana, assim como ele. E então daqui faço minha proposta: que a cidade crie um sistema inteligente de estacionamento para motocicletas nos bairros e que indivíduos de bem não precisem mais se sentir como bandidos na vida."
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Artigo do leitor Roberto Schaumburg de Oliveiravulgo Robertinho - Prez. Harley´s Dogs M.C.publicado no Globo On Line, dia 09/10/09

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Boss Hoss - V8 Motorcycles.

Comerciais - Precisando de equipamentos ?

Mulher de Motociclista.

( Texto original de Terezinha no Motonline )
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Podem crer! As mulheres de motociclistas têm mais coisas em comum do que imagina nossa vã Filosofia...
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Antes de tudo quero esclarecer: Não sou motociclista. E não adianta insistir!

Para o bem geral da nação é melhor que eu fique assim. Sempre tive muito problema pra fazer curva, com bicicleta! Ainda para piorar tenho 1,60 m, fico na ponta do pé para equilibrar qualquer moto. Talvez um dia tente uma Biz... (Mas o que faço com as curvas?)

Sou garupa. Mas não uma garupa qualquer, porque o meu marido que entende TUDO de moto já me adiantou: uma garupa pode derrubar um motorista! Aí me sinto a tal! Jogo o corpo para lá, jogo o corpo para cá, e me acho a ultima bolacha do pacote!

Mas que delícia é andar de moto, não é mesmo?
A primeira vez que andei com meu marido eu nunca vou esquecer... Era uma moto emprestada e a gente foi passear em Mairiporã, por uma estradinha secundária, no meio das árvores. Aquilo foi paixão a primeira pista. Foi simplesmente maravilhoso! Descobri que as estradas tinham cheiro, temperatura... Quando se está num carro a gente não sente isso... Ai, que gostoso!Passava na sombra de uma árvore: frio! Saía da sombra: quente! Cheiro de flor, de eucalipto... Uma vontade de levantar os braços, de agradecer a Deus o presente de viver, de sentir o calor do sol, o vento, as árvores e tanta coisa que só quem está de moto pode captar...

Recentemente, num passeio do nosso moto clube estava um sol bonito e aí começou a chover, e forte! Até a chuva parece mais doce! O corpo assusta no início, mas depois agradece, comemora. Um companheiro na nossa frente começou a rebolar todo feliz de nos arrancar gargalhadas... Estávamos compartilhando o êxtase.

Mas não só de boas sensações vive a mulher de um motociclista... Por exemplo: às vezes percebo algumas mulheres preocupadas com as outras que rodeiam o seu amado, com grande medo de serem traídas... Mas o que muitas não percebem é que a principal rival está muitas vezes ali, bem diante dos seus olhos: a moto! Eu não tenho dúvidas! Pense um pouquinho... Eles passam mais tempo com as motos do que com as esposas, companheiras, noivas ou namoradas!

Veja se reconhece esta cena: começa o dia (sábado ou domingo, ou os dois, para nosso desespero), depois que toma o café (e em não tendo corrida de moto na televisão), esse é o destino do nosso Professor Pardal: Pega a moto, desmonta, monta, desmonta de novo, monta outra vez... Aí sobra um parafuso, ele que já estava transpirando em bicas, começa a olhar para o pequeno objeto com aquela expressão de meu Deus, de onde é essa coisa? Você observa tudo ao longe, mas já pensando em ligar para 190, pois tem a impressão que ele será acometido de um enfarto...
E aí, quando você pensa que ele vai finalmente desistir, ele começa tudo de novo... Quando acaba a sessão quebra-cabeça dele (e sessão haja paciência nossa), lava, encera, põe um assessório diferente...

A gasolina? Tem que ser a super-mega-ultra-power daquele posto X Y Z! Já a gente tem que agradecer a Deus se num dia desses de calor de rachar, eles se lembrarem de nos trazer um copo de água! O motociclista faz de sua moto um verdadeiro ser humano: é a filhinha, a garotinha... É difícil vê-los invocados com a moto... E se por algum motivo elétrico ou mecânico ela os deixa na mão, eles ficam se sentindo traídos, ficam irados, mas logo se arrependem por terem se alterado com a Deusa... Já com a gente...

Os mais obcecados estendem a paixão também para seus assessórios. Uma vez derrubei o capacete do meu maridinho lindo... Ai, mas ele ficou tão bravo, mas tão bravo... Aprendi palavrão que não conhecia nesse dia! O mais básico que eu ouvi é que eu tinha que comprar capacete de R$1,99 para usar, já que eu não tinha cuidado e blá, blá, blá... O resto não dá para falar, o pessoal Motonline teria que censurar...Sabe, moro no segundo andar, mas eu tenho certeza que já passou pela cabeça dele de colocar a moto no nosso quarto, só para ele ficar olhando para ela. Se eu não ficar atenta, qualquer dia destes vou ter que dormir na sala...

Ameaçar: ou eu ou ela! Só se você estiver preparadíssima para a resposta!
E não vá chorar depois, dizendo que se arrependeu, você perderá a credibilidade. Quer um conselho? Não pode com ela? Una-se a ela! Elogie, fale que ela está linda, que ela faz um barulho gostoso, que o assessório que ele colocou ficou demais! Aí ele começa a te enxergar, e ficará também apaixonado por você. E lembre-se: não se zangue com o objeto de desejo dele. Afinal, o que importa é que quando vocês saem juntos é você quem o abraça, e em cima dela!

sábado, 31 de outubro de 2009

Nitro Circus - Erzberg

A prova, que ate os melhores se f*dem !

Histórias de guerra - DKW 350 1938


( Texto e imagem original FLAVIO GOMES )

SÃO PAULO (um livro) – É essa moto que fui conhecer de perto hoje. Estava no encontro de clássicas que aconteceu algumas semanas atrás aqui em SP. Uma DKW 350 cc, 1938. A DKW foi a maior fabricante de motocicletas do mundo durante os anos 20 e 30. A matéria que fiz para o “Limite” vai ao ar na semana que vem na ESPN Brasil.

A moto pertence ao advogado Jayme Szyflinger, que gosta muito de DKWs. Tem um Candango, uma Vemaguet e uma Schnellaster, entre outros brinquedinhos preciosos.

Ela veio direto da Segunda Guerra para o Brasil.

Foi assim. O pai de Jayme, judeu austríaco, tabalhava para uma companhia de seguros no final dos anos 30. Foi enviado para o Japão para implantar um sistema de seguros agrícolas, quando Hitler anexou a Áustria. A coisa já estava feia para os judeus na Europa central e ele, como tantos outros, tinha percebido antes da viagem. Por isso, vendeu quase tudo que tinha e transferiu para um banco na Inglaterra.

Batata. Enquanto viajava a trabalho, foi demitido da empresa, por ser judeu. Não voltou para a Áustria. Seguiu para a Inglaterra e, de lá, pegou um navio para a Argentina, onde vivia sua irmã. No navio, conheceu uma italiana, católica. Se apaixonaram. Mas ela ficou no Brasil e ele seguiu para a Buenos Aires, onde encontrou a irmã.

Semanas depois, juntou uns cobres e comprou uma motoneta Puch. Cruzou a fronteira e foi parar em Santa Catarina, onde a moto já estava se desmanchando. Vendeu o que restava lá mesmo e, de carona, chegou a São Paulo, onde encontrou sua namorada italiana. Casaram-se aqui.

O mundo estava em guerra. Numa tarde, em 1942, foi ao Largo do Paysandu, no centro da cidade, onde a embaixada britânica estava recrutando voluntários para lutar na Europa . Austríaco, e portanto fluente em alemão, alistou-se como quinta coluna. Enviaram-no de avião até o Senegal, de onde embarcou num navio para a Inglaterra.

Foi treinado durante semanas e, quando estava pronto, lançado de paraquedas na Alemanha com documentos falsos. Incorporou-se ao exército alemão e foi enviado à frente soviética. Atuou como espião até o fim da guerra, quando, ferido, seu batalhão foi aprisionado pelos americanos. Detido, contou sua história, apanhou bastante, até que conseguiu junto às autoridades militares britânicas, consultadas pelos americanos, comprovar quem era.

Ganhou patente de tenente, depois major, e como oficial britânico deu baixa e decidiu voltar ao Brasil. Antes, porém, quis conhecer os lugares onde seus familiares tinham sido mortos por Hitler. Àquela altura, estava lotado em Bonn. Pediu algo que tivesse rodas e andasse, para sua pequena excursão em busca de pistas dos parentes, e lhe disseram para escolher qualquer coisa num galpão onde estavam apreendidos vários veículos alemães. Quase nada funcionava. A moto DKW funcionou. Pela pintura em tom de areia, provavelmente pertenceu à 21ª Divisão Panzer e foi usada nas operações no norte da África. Não se sabe direito como acabou voltando à Alemanha, indo parar em Bonn.

Com ela, o pai de Jayme rodou a Europa, foi à Áustria, viu o que queria ver, descobriu o que precisava descobrir, e retornou à Alemanha para, então, pegar um vapor de volta ao Brasil e retomar a vida.

No porto de Hannover, encostou a moto, disposto a deixá-la por lá mesmo, e embarcou. “Mas quando estava subindo a rampa”, conta Jayme, seu filho, “achou ter ouvido alguém chamar seu nome. Olhou para trás e não viu nada, só a moto, que parecia pedir para ir junto. Como era oficial britânico, estava uniformizado, pediu para colocarem a moto no navio e colocaram.”

E assim foi. Quando chegou ao porto de Santos, desembarcou a moto, deu a partida e subiu a serra. Horas depois estava diante de casa, no bairro do Bom Retiro, antigo reduto da comunidade judaica em São Paulo. A esposa, quando o viu pela janela, desmaiou. Ela passara anos sem notícia do marido. Uma vez por mês, nesse tempo todo, recolhia o soldo pago pelo governo inglês no centro da cidade e lhe diziam apenas que estava “tudo bem”.

É essa moto que está com Jayme até hoje. Ela carrega ainda um telefone de campanha, cantil, marmita, estojo de primeiros socorros, compartimentos para munição, mapas e documentos, caixa de ferramentas.

E uma linda história sobre seu banco Pagusa de couro preto.

Uma história e tanto, incrível e emocionante, daria um bom filme.